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quarta-feira, 15 de abril de 2015
Rumo
RUMO
Feira de Santana;BA, 04-12-1981
Entre vida e morte
existem pigmentos
de alegrias
e grandes amarguras...
Num balão,
meu coração
encontra-se a flutuar
em fantasias
com rumos incertos;
preferindo a vida
quando em euforia
e a morte
quando presente
as amarguras.
Todavia,
não fica só no querer;
destino é feito
laço de fita
praticado em trevos
ou margaridas
a livre-arbítrio
da sorte.
Carlos Eduardo de Oliveira Andrade (Duda)
segunda-feira, 13 de abril de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
sábado, 11 de abril de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
O ESTRANGEIRO, DE ALBERT CAMUS
Numa terra onde tudo convidava a viver, com areias reluzentes e um mar insanamente azul, Albert Camus (lê-se Albert Câmi) aprendeu bem cedo que a miséria limitava o paraíso argeliano a um lugar sem muitas oportunidades. Nascido em uma pobre família do interior da Argélia (de descendência francesa), foi graças a uma bolsa de estudos que Camus conseguiu entrar no liceu da capital. Sob o sol ardente, batendo sem cessar sobre o bairro Belcourt, o então garoto estudava o dobro de seus colegas, chegando à universidade em 1931. Quatro anos mais tarde, sua vida literária começa a engrenar. Fundou o Teatro do Trabalho e o jornal Alger Republicaine.
Escrito em uma época sombria de guerra, O Estrangeiro narra com incrível capacidade o que de mais trágico existe na condição humana: o absurdo, o limite entre aspirações e realidade.
Mersault, que reside em Argel, tem sua vida modificada bruscamente ao matar um árabe. Não pelos motivos óbvios.
A história se inicia com Mersault indo ao enterro de sua mãe. Um dia depois inicia um caso amoroso com Marie e se distrai alegremente no cinema com um filme de Fernandel.
Tem dois vizinhos de prédio. Um deles é Salamano, velho ranzinza cujo maior sentido na vida é castigar seu cão. O outro é Raymond, agiota de personalidade duvidosa que, no fim, é o grande responsável pelas desgraças de Mersault.
Em um dia quente Raymond, Mersault e Marie vão à praia. E é nesse cenário que o protagonista depara-se com o árabe inimigo de Raymond. O árabe puxa uma navalha e Mersault puxa o gatilho, disparando cinco vezes. Logo em seguida é acusado de assassinato e vai preso. Durante o processo muitos pormenores de sua vida vão adquirindo relevância extrema, como o fato de ter fumado no enterro de sua mãe. É tachado como insensível, um homem sem alma, considerado um forasteiro quanto aos ditames da sociedade. Seu advogado pouco pode fazer e Mersault recebe sentença de morte.
O protagonista da obra, Mersault, vive em permanente indiferença a todos os valores morais. É o homem que não aceita as regras do jogo. Mas também está disposto a ir até o fim defendendo a única verdade na qual acredita. Mersault nasceu para desmascarar o cinismo e o vazio por trás da sociedade como um todo e do indivíduo como elemento principal. O homem é um nada, abandona aqueles que ama e também é abandonado. O homem é impotente perante as desgraças que presencia, e por isso mesmo finge não as ver. O Estrangeiro está ali justamente para dissecar aquilo que está errado e nos abrir os olhos para a estupidez de nossa falsas regras morais.
Quanto mais o conhecemos menos temos certeza se Mersault é o herói ou anti-heroi dessa história, cujo desenrolar nos joga de um lado para o outro, tal como ventríloquos de Camus, sem saber direito mais o que é certo e o que não é. Pois nossas crenças mais sagradas serão de repente questionadas, à medida que avançamos sobre o psicológico de Mersault. Não estaremos prontos para isso. Cada frase dele nos soará como absurda, desprovida de qualquer contato com a razão ou com o sentimento. Porém, quanto mais se indaga sobre sua sanidade, mais se fascina com a idéia por ele pregada. Tudo é permitido, pois todos nós morreremos e os valores todos se desmoronarão. Para Mersault, não é preciso justificar nada, por isso ele não explica, apenas descreve. Seu silêncio reforça o mistério que seu ser emana. Se ele não tem o que dizer, simplesmente não se obriga a falar. Por isso é desesperadamente verdadeiro, sem jamais pisar no território das mentiras.
A revolta do personagem é uma revolta que apaixona. Seu espírito rebelde se iguala a uma espada, com a qual ele defende como um guerreiro os poucos certezas dessa sua vida pelas quais ainda vale à pena lutar ou morrer.
Na obra de Camus todos os personagens secundários merecem um olhar mais atento. Podemos perceber que nenhum deles está alí por acaso. Cada um contribui com um lampejo de lucidez. Cada um deles é construído para conduzir Mersault a trilhas incertas.
No centro do caos instalado, sem começo nem fim, Camus não deixa de mencionar os cenários insólitos daquela capital encravada entre o mar e areia. A paisagem é peça fundamental da narrativa, colada a seu corpo ela dramatiza ainda mais o enredo. A sequência dos dias melancolicamente cintilantes de luz e calor, os fins de tarde cheios de uma magia indescritível, as noites desiludidas. Tudo isso faz parte uma beleza que salta para fora do livro. A técnica da descrição de Camus é tão poderosa que é quase como se pudéssemos sentir os aromas vindos do porto de Argel.
Não há definitivamente como escapar da sedução desse estrangeiro, a quem, ao final de páginas e páginas, ainda não temos a plena certeza de compreender. Mas a graça reside aí. Justamente porque não conseguimos decifrá-lo é porque nunca mais poderemos esquecê-lo.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
sábado, 16 de fevereiro de 2013
Filosofia da Existência:Medo e Angústia
Filosofia da existência:
Heidegger, medo e angústia
Qual o
sentido da vida? É difícil encontrar uma pessoa que, pelo menos uma vez, já não
fez essa pergunta. Ela revela algo importante sobre nós, seres humanos.
Primeiro, que temos consciência de estar vivos e de que vamos morrer algum dia.
Segundo, que isso deve ter algum sentido, ou seja, um sentido propriamente
humano.
Biologicamente, o sentido da vida é passar os genes para frente: vivemos enquanto indivíduos para garantir a continuidade da espécie como um todo. Mas esse sentido biológico não nos satisfaz. Imaginamos que possa haver algo além da satisfação de nossas necessidades vitais. Pois a satisfação das necessidades é um meio para nos mantermos vivos não a finalidade ou sentido da vida.
Como disse o filósofo Heráclito de Éfeso (540 - 470 a.C.) "se a felicidade estivesse nos prazeres do corpo, diríamos felizes os bois, quando encontram ervilhas para comer". Os bois vivem o momento, para eles não existe um passado nem um futuro, pois para ter passado e futuro é preciso haver um sentido.
Biologicamente, o sentido da vida é passar os genes para frente: vivemos enquanto indivíduos para garantir a continuidade da espécie como um todo. Mas esse sentido biológico não nos satisfaz. Imaginamos que possa haver algo além da satisfação de nossas necessidades vitais. Pois a satisfação das necessidades é um meio para nos mantermos vivos não a finalidade ou sentido da vida.
Como disse o filósofo Heráclito de Éfeso (540 - 470 a.C.) "se a felicidade estivesse nos prazeres do corpo, diríamos felizes os bois, quando encontram ervilhas para comer". Os bois vivem o momento, para eles não existe um passado nem um futuro, pois para ter passado e futuro é preciso haver um sentido.
A morte
Podemos
igualmente viver como bois ou atribuir um sentido para existência. Isto é, pensá-la como um projeto, com uma
parte por realizar que é condicionada pelo que já se fez e pelo nosso
ser-no-mundo, nossa situação concreta. A dimensão do tempo só aparece
quando percebo a minha finitude, que eu sou um ser-para-morte. Saber que se vai
morrer é o que desperta a questão do sentido, pois se vamos morrer, que sentido
tem estar vivo?
A morte pode despertar em nós dois sentimentos distintos: o medo e a angústia. O medo nos faz não pensar na morte, não nos enfrentarmos com o problema, adiá-lo, esquecê-lo. Mergulhamos em ocupações, em falações, até conversamos sobre a morte de outros, mas não da nossa.
Segundo o filósofo Martin Heidegger (1889-1976), o medo nos convida a viver na impropriedade, não atribuímos sentido, deixamos que os outros e as circunstâncias o atribuam, nos alienamos de nós mesmos, vivemos sempre correndo, com nossas agendas cheias de distrações que nos ocupam. Vivemos num sentido impróprio que não aponta em direção alguma, como uma finalidade sem fim.( HEIDEGGER CHAMA ISSO DE MÁ-FÉ)
A morte pode despertar em nós dois sentimentos distintos: o medo e a angústia. O medo nos faz não pensar na morte, não nos enfrentarmos com o problema, adiá-lo, esquecê-lo. Mergulhamos em ocupações, em falações, até conversamos sobre a morte de outros, mas não da nossa.
Segundo o filósofo Martin Heidegger (1889-1976), o medo nos convida a viver na impropriedade, não atribuímos sentido, deixamos que os outros e as circunstâncias o atribuam, nos alienamos de nós mesmos, vivemos sempre correndo, com nossas agendas cheias de distrações que nos ocupam. Vivemos num sentido impróprio que não aponta em direção alguma, como uma finalidade sem fim.( HEIDEGGER CHAMA ISSO DE MÁ-FÉ)
A
angústia
Por que
nos esforçamos por ser belos, ter dinheiro, possuir coisas? Claro, tudo isso pode fazer sentido, mas
como meio, não como fim em si mesmo. Na verdade, são na maioria dos casos
"sentidos emprestados", na falta de um sentido que seja próprio.
Se o medo da morte me lança na impropriedade, a angústia produz o efeito contrário, ela abre a inospitalidade do mundo, para sensação de "ficar sem chão". A angústia me revela uma compreensão do meu morrer, que sou singular. Percebo que não posso escapar da convocação que a angústia me faz de viver na propriedade. Ou seja, a possibilidade de ser eu mesmo.
Meu próprio tempoSe o medo da morte me lança na impropriedade, a angústia produz o efeito contrário, ela abre a inospitalidade do mundo, para sensação de "ficar sem chão". A angústia me revela uma compreensão do meu morrer, que sou singular. Percebo que não posso escapar da convocação que a angústia me faz de viver na propriedade. Ou seja, a possibilidade de ser eu mesmo.
Sou um tempo que se esgota e só tenho essa existência para ser quem sou. Percebo que sou o meu próprio tempo, não o tempo dos relógios, sempre regular e homogêneo. Mas um tempo finito em que o presente só faz sentido em relação a um futuro, a um projetar-se que me revela como realizador de minha própria história, que realiza um sentido que eu mesmo escolhi como minha marca pessoal na história da humanidade.
Heidegger não estabelece um juízo de valor de que seria melhor viver na autenticidade do que na impropriedade. Ambas são possibilidades de ser. Em qualquer momento da vida posso passar de uma a outra e vice-versa. Posso eleger um dos sentidos já prontos ou construir o meu. A vida em si não tem sentido, somos nós que atribuímos um sentido para ela.
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