segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Magia da Poesia Mário Quintana


Sábias agudezas... refinamentos...
- não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre...
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.
Mario Quintana

sábado, 27 de novembro de 2010

Algumas Palavras....


                                            Algumas palavras....


Estou  aqui,num  matinal sábado ensolarado da “pacata” cidade de Euclides da Cunha, a fazer algumas elucubrações sobre temas da vida. Fico a pensar , por exemplo,o quanto de absurdez  existe na dita normalidade vigente do comportamento humano.
Há uma tendência , por parte das pessoas ,em rotular alguém ou algo(fenômeno) de normal ou anormal, ou excêntrico( eufemismo de desvairado,  tresloucado). Tal  hábito  se configura  em ato de  alienação porque  nem todos possuem consciência ou cognição necessária para avaliações. O senso comum só não é pior do que o crack e a heroína.
 Diante  disso, o preconceito se instala e passamos a discriminar tudo que não nos é espelho.Este comportamento  se forma na infância e solidifica-se na fase jovem do individuo.
Assim, podemos presenciar cenas de violência  explícita contra negros, gays, neo-hippies, apreciadores de bolero e congêneres...  Bom, em primeiro lugar, em se tratando de  ser normal em termos de biótipo humano, nós , ocidentais ,somos minoria uma vez que o modelo humano típico tem olhos “puxados” e mora na China. Eu poderia aqui elencar muitos exemplos da tolice  social em excluir “gentes” e “ modus vivendi” de alguns grupos. No entanto, não farei isso porque deu preguiça. Depois eu continuo essas divagações livres....

    Tchau( palavra de origem italiana que significa “Fui , peixe)          eheheheheheh

                                                                                                                             Allan Pimentel


Fonte da figura:liberatinews.blogspot.com(Bruno Liberati)



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Trechos do livro "O Demônio do Meio-dia" de Andrew Solomon

Trechos do livro O Demônio do Meio-dia – Uma Anatomia da Depressão, de Andrew Solomon


Trecho 1 – página 60
Geralmente são os eventos da vida que desencadeiam a depressão. ‘Um indivíduo está muito menos propenso a sofrer depressão numa situação estável do que numa instável’, diz Melvin McGuinness, da Universidade Johns Hopkins. George Brown, da Universidade de Londres, é o fundador das pesquisas sobre ‘eventos da vida’ e diz: ‘Acreditamos que a maioria das depressões é anti-social na sua origem; existe também uma doença depressão, mas a maioria das pessoas é capaz de criar uma depressão grave a partir de um determinado conjunto de circunstâncias. O nível de vulnerabilidade varia, é claro, mas acho que pelo menos dois terços da população têm um nível suficiente de vulnerabilidade.’ Segundo sua exaustiva pesquisa realizada durante mais de 25 anos, eventos que ameaçam gravemente a vida são responsáveis pelo desencadeamento inicial da depressão. Tais eventos envolvem tipicamente alguma perda – de uma pessoa querida, de uma função, de uma idéia sobre si mesmo – e se apresentam da pior forma quando envolvem humilhação ou uma sensação de estar preso numa armadilha. A depressão pode também ser causada por uma mudança positiva. O nascimento de um bebê, uma promoção ou um casamento podem desencadear uma depressão quase tão facilmente quanto uma morte ou perda.

Fonte: orientaçãopsicológica.com

O demônio do meio-dia

                                                 O Demônio do meio-dia

“Demônio do meio-dia” foi uma expressão utilizada na Idade Média tida como uma influência maléfica que provocava os erros no escritor, escultor etc… Podemos considerar o “Demônio do meio-dia” como a própria melancolia, ou seja, a perda do sentido da existência; falta de explicação por uma grande perda.
Na gravura de Dürer, Melancolia, a procura de compreensão está repleta de perturbação, de dúvidas reais criadas pelas ideias da Reforma e da Renascença.
O olhar absorto e concentrado na distância e, simultaneamente, na meditação, no olhar para dentro. No entanto, em Dürer há agitação intelectual, procura de conhecimento, de compreensão das contradições do mundo. A mão esquerda apoiando o queixo está ligado ao demônio, ao mal, entretanto nas pinturas a forma melancolica é a mão-direita segurando a cabeça.
O cão negro simboliza o diabo, que tem como objetivo atormentar.

Para Aristoteles, a melancolia vai ser vista como caracteristicas dos intelectuais, pois, os melancolicos são propensos à criatividade. Imaginação vai ter um objetivo de furor divino, onde a memória constitui a alma. O sábio não pode se refugiar na loucura, porém pode ser possuído por estranhas imagens. A imaginação é um meio demoniaco, as imagens conservadas na memória suscitam à imaginação. Mas o individuo fascinado por essas imagines desorganizadas, cria novas imagens, logo, a imaginção leva ao pecado, ao erro e à ilusão.
O demônio do meio dia faz com que o dia pareça lento ou imóvel. O demônio faz com que a pessoa possua um só pensamento.
Melancolia está ligado ao planeta saturno – satã
- tradição grega: Saturno – melancolia
- tradição oriental: satã – Acédia¹
Gregos: Khronos(Deus do tempo) encarna o soberano da idade de ouro. Khronos devora seus filhos, ou, as horas.
Latinos: Saturno possui a foice, com a qual cortou o pênis de seu pai; para fundar a geração dos titãs. Ele preside os trabalhos nos campos
Saturno: Planeta mais longe e de revolução mais lenta; representante do sol durante a noite. É a encarnação da inteligência suprema.
Para a astrologia Saturno é nefasto. Desde o 1º século a.c. por que ele passou uma temporada no Hades, representa a parte mais baixa do Universo, e a influência mais hostil.
Os nascidos sob Saturno têm o corpo deformado; cabelos negros, queixo coberto de pêlos, ar sombrio; peito estreito, tristes, com roupas sujas, não gostam de passear com as mulheres, ou com companhia.
A hora de Saturno é a hora do Mal

Anatomia da melancolia: 4 humores: Sangue, Linfa, Bile Amarela, Bile negra
Para melhor compreensão, segue um quadro:

  1. Sangue – sangüíneo – ar – quente/úmido – Júpiter – Primavera
  2. Linfa – fleumático – água – fria/úmida – Vênus – Inverno
  3. Bile Amarela – Colérico – fogo – quente/seco – Marte – Verão
  4. Bile Negra – Melancólico – terra -fria/seca – Saturno – Outono
A melancolia elizabetana
Melancolia na era elizabetana significa uma cruel fatalidade. “guardar fielmente a palavra dada chama a miséria. Arranja-te com os deuses e a sorte”. Melancolia é a tensão entre a terra e as estrelas.

Melancolica saturniana: Mercúrio o deus de pés alados é o deus dos artistas, agora Saturno. Traços: Excentricidade, gosto pela solidão.
A loucura melancólica é uma alienação da imaginação, não do espirito. A doença melancólica alterna 2 fases: a maníaca e a depressiva, segundo os tratados de medicina.
Os escritores: Hamlet – combate sua melancolia com a ironia.
Moliére: para ele, a melancolia é uma figura dolorosa
Para Boileau, a melancolia é a falta de gosto, e por fim, para Montesquieu que via no ar, nas uvas e no vinho excelentes antídotos contra a melancolia.


No quadro “Sweet Melancoly“, de Joseph-Marie Vien a melancolia é representada como uma jovem mulher, magra e abatida, assentada, onde as costas estão em oposição ao dia, apoia a cabeça na mão direita; e na esquerda segura uma flor, a qual não presta atenção. Seus olhos são fixos na terra. A doce melancolia que se apresenta cheia de graça.


Fonte:orientaçãopsicológica.com

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O Benefício da dúvida postado por Allan Pimentel




Difícil é lidar com donos da verdade. Não há dúvida de que todos nós nos apoiamos em algumas certezas e temos opinião formada sobre determinados assuntos; é inevitável e necessário. Se somos, como creio que somos, seres culturais, vivemos num mundo que construímos a partir de nossas experiências e conhecimentos. Há aqueles que não chegam a formular claramente para si o que conhecem e sabem, mas há outros que, pelo contrário, têm opiniões formadas sobre tudo ou quase tudo. Até aí nada de mais; o problema é quando o cara se convence de que suas opiniões são as únicas verdadeiras e, portanto, incontestáveis. Se ele se defronta com outro imbuído da mesma certeza, arma-se um barraco.
De qualquer maneira, se se trata de um indivíduo qualquer que se julga dono da verdade, a coisa não vai além de algumas discussões acaloradas, que podem até chegar a ofensas pessoais. O problema se agrava quando o dono da verdade tem lábia, carisma e se considera salvador da pátria. Dependendo das circunstâncias, ele pode empolgar milhões de pessoas e se tornar, vamos dizer, um “fuhrer”.
As pessoas necessitam de verdades e, se surge alguém dizendo as verdades que elas querem ouvir, adotam-no como líder ou profeta e passam a pensar e agir conforme o que ele diga. Hitler foi um exemplo quase inacreditável de um líder carismático que levou uma nação inteira ao estado de hipnose e seus asseclas à prática de crimes estarrecedores.
A loucura torna-se lógica quando a verdade torna-se indiscutível. Foi o que ocorreu também durante a Inquisição: para salvar a alma do desgraçado, os sacerdotes exigiam que ele admitisse estar possuído pelo diabo; se não admitia, era torturado para confessar e, se confessava, era queimado na fogueira, pois só assim sua alma seria salva. Tudo muito lógico. E os inquisidores, donos da verdade, não duvidavam um só momento de que agiam conforme a vontade de Deus e faziam o bem ao torturar e matar.
Foi também em nome do bem — desta vez não do bem espiritual, mas do bem social — que os fanáticos seguidores de Pol Pot levaram à morte milhões de seus irmãos. Os comunistas do Khmer Vermelho haviam aprendido marxismo em Paris não sei com que professor que lhes ensinara o caminho para salvar o país: transferir a maior parte da população urbana para o campo. Detentores de tal verdade, ocuparam militarmente as cidades e obrigaram os moradores de determinados bairros a deixarem imediatamente suas casas e rumarem para o interior do país. Quem não obedeceu foi executado e os que obedeceram, ao chegarem ao campo, não tinham casa onde morar nem o que comer e, assim, morreram de inanição. Enquanto isso, Pol Pot e seus seguidores vibravam cheios de certeza revolucionária.
É inconcebível o que os homens podem fazer levados por uma convicção e, das convicções humanas, como se sabe, a mais poderosa é a fé em Deus, fale ele pela boca de Cristo, de Buda ou de Muhammad. Porque vivemos num mundo inventado por nós, vejo Deus como a mais extraordinária de nossas invenções. Sei, porém, que, para os que creem na sua existência, ele foi quem criou a tudo e a todos, estando fora de discussão tanto a sua existência quanto a sua infinita bondade e sapiência.
A convicção na existência de Deus foi a base sobre a qual se construiu a comunidade humana desde seus primórdios, a inspiração dos sentimentos e valores sem os quais a civilização teria sido inviável. Em todas as religiões, Deus significa amor, justiça, fraternidade, igualdade e salvação. Não obstante, pode o amor a Deus, a fé na sua palavra, como já se viu, nos empurrar para a intolerância e para o ódio.
Não é fácil crer fervorosamente numa religião e, ao mesmo tempo, ser tolerante com as demais. As circunstâncias históricas e sociais podem possibilitar o convívio entre pessoas de crenças diferentes, mas, numa situação como do Oriente Médio hoje, é difícil manter esse equilíbrio. Ali, para grande parte da população, o conflito político e militar ganhou o aspecto de uma guerra religiosa e, assim, para eles, o seu inimigo é também inimigo de seu Deus e a sua luta contra ele, sagrada. Não é justo dizer que todos pensam assim, mas essa visão inabalável pode ser facilmente manipulada com objetivos políticos.
Isso ajuda a entender por que algumas caricaturas — publicadas inicialmente num jornal dinamarquês e republicadas em outros jornais europeus — provocaram a fúria de milhares de muçulmanos que chegaram a pedir a cabeça do caricaturista. Se da parte dos manifestantes houve uma reação exagerada — que não aceita desculpas e toma a irreflexão de alguns jornalistas como a hostilidade de povos e governos europeus contra o islã—, da parte dos jornais e do caricaturista houve certa imprudência, tomada como insulto à crença de milhões de pessoas.
Mas não cansamos de nos espantar com a reação, às vezes sem limites, a que as pessoas são levadas por suas convicções. E isso me faz achar que um pouco de dúvida não faz mal a ninguém. Aos messias e seus seguidores, prefiro os homens tolerantes, para quem as verdades são provisórias, fruto mais do consenso que de certezas inquestionáveis.
  • autor: Ferreira Gullar
  • fonte: Folha de S. Paulo (edição impressa)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A MÍDIA COMETE SIM ABUSOS AO ATACAR LULA E DILMA

Leonardo Boff | do site Vermelho

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.
Esta história de vida me avaliza fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.
Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.
Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.
Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.
Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogressista, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.
Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascendente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.
Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa mídia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.
O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceitual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, enfim, a melhorar de vida.
Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.
O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.
O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocolonial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?
Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

Fonte: Adital

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O ser que se constrói Allan Pimentel


                                                       O ser que se constrói

O homem é um ser que se constrói constantemente.Possui um componente denominado consciência que o faz a todo momento árbitro de si. Quem nega sua própria liberdade está fraudando, negligenciando o poder que lhe é conferido de alterar as variáveis de seus eventos, fatos , enfim da tal ação sobre o  existir.
 De tal modo , conferir a outrem( crenças religiosas, terapias consagradas pela ciência ou coisa do gênero ou até mesmo sublimação artística) o papel de guia para nossa atuação  no cenário da vida é excluir-se da possibilidade de uma busca autêntica de SER humano.
 Não existe um destino  ,mas sim uma eterna reconfiguração  de todos. Não perceber isto ou alienar-se  ao mundo pseudopalpável  representa a morte da vontade, expressão única do indivíduo, isto é , o que nega a dualidade, a alteridade.   
   A aventura do ser sobre a existência  se debruça sobre tais questões. Urge enfrentá-las de modo radical para que não sejamos prisioneiros de nossas próprias falsas convicções.
É preciso se zerar , implodir-se, questionar-se mesmo que isso seja perturbador. Não há liberdade sem uma viagem interior profunda, decisiva para nos tornarmos menos frágeis e menos determinados por aquilo que nos adestra.



terça-feira, 6 de julho de 2010

O sentido do existir - parte I



Qualquer sujeito que já refletiu, com a mais desapaixonada boa-fé, sobre sua própria existência e a existência do universo já sentiu um súbito desconforto como se estivesse à beira de um penhasco olhando assombrado para o infinito abismo da lógica. Bertrand Russel definiu esta estupefação como um delírio de dúvidas diante da inconsistência da realidade. Uma realidade que se nos apresenta multifacetada, complexa, misteriosa e muitas vezes obstinadamente incoerente e ilusória.
Apesar de diariamente estarmos envolvidos em nossos projetos de vida e afirmarmos haver sentido e razão em todos os nossos atos, no fundo temos consciência da estonteante absurdidade da existência. Como um ser consciente de sua finitude é capaz de criar tantos sentidos para seus atos diante da irredutível insensatez do próprio ato de existir? Há algum desígnio para a existência ou somos apenas um hiato entre dois absolutos nadas? Como devemos conduzir nossas vidas se não sabemos porque e para que existimos? Toda história humana parece se resumir a um extraordinário esforço em imprimir sentido ao manifesto caos lógico que nos cerca.
Mesmo que aceitemos a existência de um criador, sua criação parece não ser governada pelas regras da mais límpida sensatez. Tudo parece estar envolto em infinita complexidade, contradição e mistério. Todo aquele que vê sentido na criação, é porque ainda não se fez um número suficiente de perguntas, ou ainda não se deu conta da magnitude da complexidade dessas questões.
Dizer que pensar sobre a existência é criar um “cemitério de hipóteses” é no mínimo justo. No entanto, não podemos esquecer que é sobre este cemitério que estão alicerçados todos os nossos atos, todas as nossas leis, toda a nossa sociedade e toda a ciência.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Verbos: uma introdução





Elemento principal da oração, o verbo exprime processos, ações, estados ou fenômenos e, por meio da ampla variedade de formas em que se apresenta, indica em português a pessoa, o tempo, o modo e a voz do discurso. Assim, muitas informações significativas estão nele reunidas.
Verbo é toda palavra ou expressão que traduz um fato. A frase "As crianças amam o campo" enuncia um fato observado a respeito de "crianças" e de "campo". A palavra que descreve esse fato é "amam", forma conjugada do verbo amar. Quanto ao complemento na oração, os verbos são intransitivos, quando expressam uma idéia completa (andei), ou transitivos, quando exigem continuação (perdi o sapato, fui ao dentista).
Quanto ao sujeito, os verbos podem ser tripessoais, unipessoais ou impessoais, segundo se empreguem nas três pessoas, apenas nas terceiras pessoas ou somente na terceira do singular. Latir é unipessoal, pois não se usa nem na primeira nem na segunda pessoa. Ventar é impessoal, uma vez que, sem sujeito, fica na terceira pessoa do singular.
Informações expressas pelo verbo. O sujeito da oração é sempre indicado pelo verbo, que aparece numa das três pessoas: a primeira, que fala; a segunda, com quem se fala; e a terceira, de quem se fala.
O verbo concorda com o sujeito em número, que pode ser singular ou plural. Pessoa e número têm desinências particulares. Assim, primeira pessoa: amei, amamos; segunda pessoa: amaste, amastes; terceira pessoa: amou, amaram.
Os verbos denotam ainda as circunstâncias temporais em que se realizam os fatos: presente (amo), passado (amei) e futuro (amarei). Quando se referem dois fatos não concomitantes -- passados, presentes ou futuros -- o verbo pode ainda exprimir anterioridade (tenho amado; tinha amado, ou amara; e terei amado) ou posterioridade (tenho de amar, tive de amar, terei de amar). Servem de exemplo as frases: "Quando ele me contou a história eu já a tinha adivinhado" e "Ele se casará em dezembro e logo depois terá de partir, em viagem de estudos".
Em português, os verbos apresentam-se em três modos (indicativo, subjuntivo e imperativo) e três formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). O uso dos modos é expressivo e dificilmente se podem estabelecer princípios gerais. É possível observar, entretanto, que o subjuntivo é próprio da afirmação insegura, dubitativa. O imperativo serve para a expressão direta da vontade afirmativa, desde a ordem até o desejo, mas se dispõe apenas da segunda pessoa; supre-se, nas suas lacunas, do presente do subjuntivo, como nos versos "Repousa lá no céu eternamente, / E viva eu cá na terra sempre triste" (Camões). 


fontes: colégioweb e atoouefeito(figura)