quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O ser que se constrói Allan Pimentel


                                                       O ser que se constrói

O homem é um ser que se constrói constantemente.Possui um componente denominado consciência que o faz a todo momento árbitro de si. Quem nega sua própria liberdade está fraudando, negligenciando o poder que lhe é conferido de alterar as variáveis de seus eventos, fatos , enfim da tal ação sobre o  existir.
 De tal modo , conferir a outrem( crenças religiosas, terapias consagradas pela ciência ou coisa do gênero ou até mesmo sublimação artística) o papel de guia para nossa atuação  no cenário da vida é excluir-se da possibilidade de uma busca autêntica de SER humano.
 Não existe um destino  ,mas sim uma eterna reconfiguração  de todos. Não perceber isto ou alienar-se  ao mundo pseudopalpável  representa a morte da vontade, expressão única do indivíduo, isto é , o que nega a dualidade, a alteridade.   
   A aventura do ser sobre a existência  se debruça sobre tais questões. Urge enfrentá-las de modo radical para que não sejamos prisioneiros de nossas próprias falsas convicções.
É preciso se zerar , implodir-se, questionar-se mesmo que isso seja perturbador. Não há liberdade sem uma viagem interior profunda, decisiva para nos tornarmos menos frágeis e menos determinados por aquilo que nos adestra.



terça-feira, 6 de julho de 2010

O sentido do existir - parte I



Qualquer sujeito que já refletiu, com a mais desapaixonada boa-fé, sobre sua própria existência e a existência do universo já sentiu um súbito desconforto como se estivesse à beira de um penhasco olhando assombrado para o infinito abismo da lógica. Bertrand Russel definiu esta estupefação como um delírio de dúvidas diante da inconsistência da realidade. Uma realidade que se nos apresenta multifacetada, complexa, misteriosa e muitas vezes obstinadamente incoerente e ilusória.
Apesar de diariamente estarmos envolvidos em nossos projetos de vida e afirmarmos haver sentido e razão em todos os nossos atos, no fundo temos consciência da estonteante absurdidade da existência. Como um ser consciente de sua finitude é capaz de criar tantos sentidos para seus atos diante da irredutível insensatez do próprio ato de existir? Há algum desígnio para a existência ou somos apenas um hiato entre dois absolutos nadas? Como devemos conduzir nossas vidas se não sabemos porque e para que existimos? Toda história humana parece se resumir a um extraordinário esforço em imprimir sentido ao manifesto caos lógico que nos cerca.
Mesmo que aceitemos a existência de um criador, sua criação parece não ser governada pelas regras da mais límpida sensatez. Tudo parece estar envolto em infinita complexidade, contradição e mistério. Todo aquele que vê sentido na criação, é porque ainda não se fez um número suficiente de perguntas, ou ainda não se deu conta da magnitude da complexidade dessas questões.
Dizer que pensar sobre a existência é criar um “cemitério de hipóteses” é no mínimo justo. No entanto, não podemos esquecer que é sobre este cemitério que estão alicerçados todos os nossos atos, todas as nossas leis, toda a nossa sociedade e toda a ciência.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Verbos: uma introdução





Elemento principal da oração, o verbo exprime processos, ações, estados ou fenômenos e, por meio da ampla variedade de formas em que se apresenta, indica em português a pessoa, o tempo, o modo e a voz do discurso. Assim, muitas informações significativas estão nele reunidas.
Verbo é toda palavra ou expressão que traduz um fato. A frase "As crianças amam o campo" enuncia um fato observado a respeito de "crianças" e de "campo". A palavra que descreve esse fato é "amam", forma conjugada do verbo amar. Quanto ao complemento na oração, os verbos são intransitivos, quando expressam uma idéia completa (andei), ou transitivos, quando exigem continuação (perdi o sapato, fui ao dentista).
Quanto ao sujeito, os verbos podem ser tripessoais, unipessoais ou impessoais, segundo se empreguem nas três pessoas, apenas nas terceiras pessoas ou somente na terceira do singular. Latir é unipessoal, pois não se usa nem na primeira nem na segunda pessoa. Ventar é impessoal, uma vez que, sem sujeito, fica na terceira pessoa do singular.
Informações expressas pelo verbo. O sujeito da oração é sempre indicado pelo verbo, que aparece numa das três pessoas: a primeira, que fala; a segunda, com quem se fala; e a terceira, de quem se fala.
O verbo concorda com o sujeito em número, que pode ser singular ou plural. Pessoa e número têm desinências particulares. Assim, primeira pessoa: amei, amamos; segunda pessoa: amaste, amastes; terceira pessoa: amou, amaram.
Os verbos denotam ainda as circunstâncias temporais em que se realizam os fatos: presente (amo), passado (amei) e futuro (amarei). Quando se referem dois fatos não concomitantes -- passados, presentes ou futuros -- o verbo pode ainda exprimir anterioridade (tenho amado; tinha amado, ou amara; e terei amado) ou posterioridade (tenho de amar, tive de amar, terei de amar). Servem de exemplo as frases: "Quando ele me contou a história eu já a tinha adivinhado" e "Ele se casará em dezembro e logo depois terá de partir, em viagem de estudos".
Em português, os verbos apresentam-se em três modos (indicativo, subjuntivo e imperativo) e três formas nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). O uso dos modos é expressivo e dificilmente se podem estabelecer princípios gerais. É possível observar, entretanto, que o subjuntivo é próprio da afirmação insegura, dubitativa. O imperativo serve para a expressão direta da vontade afirmativa, desde a ordem até o desejo, mas se dispõe apenas da segunda pessoa; supre-se, nas suas lacunas, do presente do subjuntivo, como nos versos "Repousa lá no céu eternamente, / E viva eu cá na terra sempre triste" (Camões). 


fontes: colégioweb e atoouefeito(figura) 

domingo, 25 de abril de 2010

A volta da Bundalização

CRÉU NO MEU CÉREBRO: A BUNDALIZAÇÃO VOLTOU!

Créu no meu cérebro! Quando pensei que o pior já havia passado com modismos como É o Tchan, Éguinha Pocotó e outras porcarias do gênero, eis que surge, então, a onda o créu. Vemos que de tempos em tempos, infelizmente não tão longos, as ondas de bundalização reaparecem na cultura brasileira, e com elas trazem pseudo cantores e dançarinas que conquistam seus cinco minutos de fama, seguidos, muitas vezes, de estampas em revistas eróticas em ensaio de “nu artístico” – como se não bastasse já serem consideradas artistas por fazerem a idiotice que fazem.
Diversos fatores contribuem para que essa “bundalização” da música e da cultura brasileira se alastre. Um deles? A imprensa, não há dúvida! Programas vazios, sensacionalistas e idiotas alimentam fatos que não possuem nenhuma relevância, bombardeiam e massificam o público promovendo esses modismos de verão.
Mas claro, a culpa não é apenas da imprensa, de apresentadores e jornalistas de meio neurônio. O fato das pessoas absorverem e consumirem esse tipo de (des)informação e cultura contribui de maneira decisiva para que elas continuem voltando em ciclos novos. É preferível ver um programa que mostre dançarinas seminuas, escândalos de “famosos” do que ler um livro, assistir um filme. E isso não tem nada a ver com acessibilidade. Está tudo ao alcance da mão, basta decidir o que consumir.
É óbvio que isso pode parecer um simples desabafo moralista e parcial a respeito de fatos que possuem lugar cativo nos meios de comunicação e nos lares de grande parcela do povo brasileiro. Entretanto, não é apenas isso e não é à toa que a bunda é o principal cartão postal do Brasil no exterior. Quer-se uma imagem de país sério e faz-se o contrário. Vendem-se nádegas carnudas e peitos siliconados.
E então em épocas de “secas” criam-se ferramentas para que o sexo continue na ativa e alimentando os programetes antes citados. Exemplos são as disputas de menores “tapa-sexos” para o carnaval, os concursos de novas loiras, morenas, ruivas, negras, mulatas, amarelas... do grupo tal que havia sumido e ressuscitaram, escolha da melhor dançarina mirim – iniciando a bundalização logo cedo para garantir a continuidade da coisa no futuro. Enquanto isso a vida vai passando, meus cabelos caindo e meus dentes amarelando... créu mesmo? Só no meu moralismo sempre démodé.

 Fonte: www.overmundo.com.br

terça-feira, 13 de abril de 2010

Para pensar na cama, no banheiro, na rua, na sala de estar ou em qualquer lugar....

"Cultura é tudo aquilo que criamos para tornar a vida vivível e a morte defrontável”.

  fonte: Aimé Césaire , poeta Haitiano

UMA TRANSA GRAMATICAL BRASILEIRÍSSIMA

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. 
Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. 
E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um  maravilhoso predicado nominal.  Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. 
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.. 
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o   substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. 
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
 Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. 
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. 
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. 
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.
 É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. 
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
 Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.Nisso a porta abriu repentinamente.
 Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
 Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.   
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. 
O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.
Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. 
Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. 
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu  trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Origem da Língua Portuguesa Post: Allan

História da Língua Portuguesa

O SURGIMENTO

O surgimento da Língua Portuguesa está profunda e inseparavelmente ligado ao processo de constituição da Nação Portuguesa.
Na região central da atual Itália, o Lácio, vivia um povo que falava latim. Nessa região, posteriormente foi fundada a cidade de Roma. Esse povo foi crescendo e anexando novas terras a seu domínio. Os romanos chegaram a possuir um grande império, o Império Romano. A cada conquista, impunham aos vencidos seus hábitos, suas instituições, os padrões de vida e a língua.
Existiam duas modalidades do latim: o latim vulgar (sermo vulgaris, rusticus, plebeius) e o latim clássico ( sermo litterarius, eruditus, urbanus). O latim vulgar era somente falado. Era a língua do cotidiano usada pelo povo analfabeto da região central da atual Itália e das províncias: soldados, marinheiros, artífices, agricultores, barbeiros, escravos, etc. Era a língua coloquial, viva, sujeita a alterações freqüentes. Apresentava diversas variações. O latim clássico era a língua falada e escrita, apurada, artificial, rígida, era o instrumento literário usado pelos grandes poetas, prosadores, filósofos, retóricos... A modalidade do latim imposta aos povos vencidos era a vulgar. Os povos vencidos eram diversos e falavam línguas diferenciadas, por isso em cada região o latim vulgar sofreu alterações distintas o que resultou no surgimento dos diferentes romanços e posteriormente nas diferentes línguas neolatinas.
No século III a.C., os romanos invadiram a região da península ibérica, iniciou-se assim o longo processo de romanização da península. A dominação não era apenas territorial, mas também cultural. No decorrer dos séculos, os romanos abriram estradas ligando a colônia à metrópole, fundaram escolas, organizaram o comércio, levaram o cristianismo aos nativos. . . A ligação com a metrópole sustentava a unidade da língua evitando a expansão das tendências dialetais. Ao latim foram anexadas palavras e expressões das línguas dos nativos.
No século V da era cristã, a península sofreu invasão de povos bárbaros germânicos ( vândalos, suevos e visigodos). Como possuíam cultura pouco desenvolvida, os novos conquistadores aceitaram a cultura e língua peninsular. Influenciaram a língua local acrescentando a ela novos vocábulos e favorecendo sua dialetação já que cada povo bárbaro falava o latim de uma forma diferente.
Com a queda do Império Romano, as escolas foram fechadas e a nobreza desbancada, não havia mais os elementos unificadores da língua. O latim ficou livre para modificar-se.
As invasões não pararam por aí, no século VIII a península foi tomada pelos árabes. O domínio mouro foi mais intenso no sul da península. Formou-se então a cultura moçárabe, que serviu por longo tempo de intermediária entre o mundo cristão e o mundo muçulmano. Apesar de possuírem uma cultura muito desenvolvida, esta era muito diferente da cultura local o que gerou resistência por parte do povo. Sua religião, língua e hábitos eram completamente diferentes. O árabe foi falado ao mesmo tempo que o latim (romanço). As influências lingüísticas árabes se limitam ao léxico no qual os empréstimos são geralmente reconhecíveis pela sílaba inicial al- correspondente ao artigo árabe: alface, álcool, Alcorão, álgebra, alfândega... Outros: bairro, berinjela, café, califa, garrafa, quintal, xarope...
Embora bárbaros e árabes tenham permanecido muito tempo na península, a influência que exerceram na língua foi pequena, ficou restrita ao léxico, pois o processo de romanização foi muito intenso.
Os cristãos, principalmente do norte, nunca aceitaram o domínio muçulmano. Organizaram um movimento de expulsão dos árabes (a Reconquista). A guerra travada foi chamada de "santa" ou "cruzada". Isso ocorreu por volta do século XI. No século XV os árabes estavam completamente expulsos da península.
Durante a Guerra Santa, vários nobres lutaram para ajudar D. Afonso VI, rei de Leão e Castela. Um deles, D. Henrique, conde de Borgonha, destacou-se pelos serviços prestados à coroa e por recompensa recebeu a mão de D. Tareja, filha do rei. Como dote recebeu o Condado Portucalense. Continuou lutando contra os árabes e anexando novos territórios ao seu condado que foii tomando o contorno do que hoje é Portugal.
D. Afonso Henriques, filho do casal, funda a Nação Portuguesa que fica independente em 1143. A língua falada nessa parte ocidental da Península era o galego-português que com o tempo foi diferenciando-se: no sul, português, e no norte, galego, que foi sofrendo mais influência do castelhano pelo qual foi anexado. Em 1290, o rei D. Diniz funda a Escola de Direitos Gerais e obriga em decreto o uso oficial da Língua Portuguesa.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

O sentido da vida- pensamentos post: Allan

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.
Machado de Assis

A vida é muito importante para ser levada a sério.
Oscar Wilde

Esta é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito.
Millôr Fernandes

Caetano - Podres Poderes


"Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval..."
                                      Caetano Veloso

Faroeste cabloco do Legião( momento saudosista) post: Allan